Mulher de peito
Capítulo 1: O despertar
Sempre fui despeitada (literalmente), mas isso nunca me incomodou. Acho que porque meus recursos financeiros não me permitiam pensar em algo caro assim como prótese de silicone. Então eu não pensava mesmo.
Tudo começou numa conversa com uma amiga. Silicone pra lá, peitão pra cá e daí resolvemos marcar uma consulta. Depois da primeira veio a segunda e a terceira. E de repente estava minha amiga louca, fazendo pesquisa de campo no clube da cidade. Ela conversava com todas as siliconadas da área, as levava ao banheiro e pedia para ver e tocar. Parecia uma tarada. Mas foi ótimo, assim não tive que fazer esse papel.
E assim minha vontade de ter peito foi despertada.
Depois disso, veio aquela onda de “O Segredo”, lembra? Aquele livro de auto ajuda que virou Best seller ou sei lá o que de tanto que vendeu. Pois é, eu andei lendo-o também. E vou confessar (mas não conte pra ninguém), acabei experimentando uma técnica que aprendi nele. A do “quadro de visão”, que nada mais é que colocar em lugar visível, fotos das coisas que você quer pra sua vida (um carro, um emprego, um amor, qualquer coisa) daí você visualiza todos os dias e acaba com isso atraindo aquilo pra sua vida. É o que diz o livro. Então fui euzinha (cééééééética) fazer meu quadro de visão pra testar. Pra começar, coloquei nele o orçamento de um carro, e logo depois o orçamento do peitão.
Ficaram lá algum tempo e depois, pasmem. Com oito meses troquei de carro. Óbvio que não foi um zero como eu queria, mas perto do Tigrão (lembram do meu fusca bege 76???) qualquer um parecia zero. E tcham tcham tcham tcham, depois de doze meses estou eu aqui turbinada.
Funcionou!
Capítulo 2: A escolha do médico
Ai que trampo... Depois da pesquisa de campo da minha amiga tarada, chegamos ao nome do cirurgião mais cotado da cidade. E depois de N consultas, ironicamente escolhi outro médico. Perguntei muito, especulei muito, pedi orientação divina. E fiz o que meu coração mandou. Cirurgia marcada.
Capítulo 3: O dia D
1º de dezembro de 2008, 7 horas da manhã. Lá estava eu e minha mãezinha (pau pra toda obra). Depois de um jejum de oito horas, eu queria mesmo era tomar soro pra não começar a sentir fome.
Entrei no consultório e o doutor foi me rabiscando toda, fiquei parecendo um mapa. Em minutos eu já estava na sala de cirurgia conversando com o filho do anestesista. Hahaha, piadinha. Claro que não era o filho dele, era o próprio anestesista. É que eu o chamei assim porque ele parecia muito novo... Alguns minutos de conversa, uma picadinha aqui, outra ali e... Fui.
Anestesia local com sedação, pra quem quiser saber. Uma horinha de cirurgia e tudo correu perfeitamente bem.
Logo após me levaram pro quarto. Recebi até flores de boas vindas da própria clínica. Dessa hora em diante fiquei meio boa meio grog conversando com a minha mãe, cochilando e recebendo algumas visitas. Lá pro meio dia eu reclamei de fome e dor. A enfermeira me deu então um remedinho e trouxe aquela bandejinha de lanche bem farta, e eu a devorei como um trator em menos de 10 minutos. Credo, que fome.
Passei o dia na clínica e tive alta por volta das 16 horas. Saí de mumiazinha, toda enfaixada. Ainda não dava pra ver nada.
Capítulo 4: A primeira semana
Nossa, que desespero. A primeira semana dói bastante e sem contar que só dá pra dormir de barriga pra cima. Tinha noite que eu não agüentava e sentava na cama pra relaxar as costas. A sensação é de que meu peito pesava uma tonelada. Pele esticada, parecendo que ia rasgar. Antibiótico de 12 em 12 horas e cama, muita cama. Tirei a faixa logo no segundo dia. Os seios estavam bem inchados, mas já gostei do tamanho (300 ml que parecem muito quando ditos, mas não são). Agora é a vez do sutiã sem costura. Ah, não consigo pentear o cabelo...
Capítulo 5: A segunda semana
Ainda doía, e o médico falou que eu poderia sentir pontadas.
Nossa senhora do não sei o que, pelo amor de Deus. Essa segunda semana foram só pontadas. Por dois dias então, era melhor nem falar comigo, eu era puro mau humor. Mas apesar de tudo uma coisa boa, o doutor ensinou uma massagem e comecei a fazer. Doía, mas era bom. E dormir, ainda só de barriga pra cima...
Capítulo 6: A terceira semana
Agora sim resolvi sacudir a poeira. Voltei a dirigir e até viajei a trabalho. Já desinchei bastante, as pontadas pararam e a dor tá bem de leve.
Capítulo 7: A quarta semana
Continuo fazendo massagem, usando pomada na cicatriz e sutiã sem costura. Uma dorzinha ainda me acompanha e grande parte do inchaço acho que já se foi.
Estou muitíssimo feliz e satisfeita com a minha decisão. Dá um pouco de trabalho, dói, mas vale à pena.
Agora sou uma mulher de PEITO.
Capítulo 8: A despedida
Agora acho que não vou mais falar de peito, pois a fase crítica passou e está tudo voltando ao normal.
E o normal não tem graça contar...



